Esta semana de aula me apresentou 3 momentos importantes:
*Na comunidade de Morro Azul, presenciei o quanto o diálogo entre imaginação e realidade se fazem presentes na vida dos meus alunos, pois, é freqüente a associação de personagens das historias infantis com a vida real deles, demonstrando uma enorme naturalidade em se enxergar dragões, princesas, gnomos e etc. por onde passávamos.
Isso me remeteu a interdisciplina de Linguagem e Educação, mais precisamente ao texto de Thais Gurgel, que trata da importância dessas relações de imaginário com a realidade para o desenvolvimento infantil, pois “Ao construir narrativas, a criança brinca com a realidade e encontra um jeito
próprio de lidar com ela”.
É muito importante ainda que haja esse diálogo, pois é o momento em que a criança se põe no lugar dos personagens, e por estar no processo de formação e construção de seu pensamento, essa flexibilidade traz enriquecimento de experiências e melhor desenvolvimento da afetividade.
*O segundo momento relevante da semana, foi no passeio a Torres, quando as crianças conheceram a neblina, na qual chamamos de serração, comprovando a descrição acima. As crianças buscaram em sua bagagem o que mais próximo tinham de explicação e definiram serração como sendo a madeira quando é serrada, e então percebi um desequilíbrio neste momento, pois o que estavam vendo era uma ‘fumaça’ branca e fria.
*Terceiro momento foi na sala de aula, quando dei vazão ao diálogo das crianças quanto ao forte vento que estava acontecendo, questionei como o vento se formava e eles responderam que era o papai do céu que fazia, até que o diálogo mudou de rumo e chegou até a estrutura de um vulcão, notei o conflito da existência atual de vulcões ou não, alguns acreditam que existia apenas na era jurássica.
Este foi mais um momento em que minhas conclusões sobre a prática docente entraram em conflito, pois me vi desequilibrada quanto a resistência da aplicação de um Projeto de Aprendizagem na educação infantil, e ainda, que o norte do planejamento está absolutamente nos interesses dos alunos.
Não existe um método pra educar, mas talvez um momento de insight do educador, onde perceba de onde partir para aquela turma, aquele aluno, aquele momento. Portanto, tenho um desafio, estar aberta pra este insight.
Um comentário:
Oi Rita,
Muito interessantes os momentos que tu descreve nesta semana, com certeza te desafiam a muito insights sobre o que é ser educador, desta turma e neste momento. Para contribuir com a construção do teu relatório, sugiro que tragas para as postagens as referências completas dos textos. Por exemplo; na citação de Thais Gurgel não colocas sequer o ano e a página. Essas informações são fundamentais, tanto aqui quanto no relatório final de estágio.
Pensando sobre o segundo momento, será que as crianças não relacionaram o nome "serração" com o ato de serrar madeira? Isso revelaria hipóteses que elas criam para explicar o desconhecido, neste caso a palavra. Mas, também pode sinalizar o potencial dos projetos de Aprendizagem...que partem de "certezas provisórias"...poderiam pesquisar sobre a serração para ver o que descobrem...Pense nisso e seguimos conversando, ok?
Grande beijo e votos de outra semana repleta de descobertas.
Profa. Nádie
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